domingo, 2 de agosto de 2009

Deixa-me contar-te..
Precisamos de nos contar para sermos. Nessecitamos da narrativa para vislumbrarmos o nosso EU genuino, a nossa identidade. Vamos (re)compondo as diferentes performances, com que mesclamos e registamos a nossa trajectória pessoal e colectiva. Precisamos de preservar a incisão da nossa pegada ecológica, no espaço e no tempo. De mantermos intacta ou pouco afectada a nossa personagem, nos diferentes cenários do papel de actor. Serres, M., (2008) refere que: “A nossa relação fundamental, com a vida e com o corpo, seja de concordância ou discordância, acompanha a constituição interna do tempo….). Repete ou reafirma-se na sua expressão de continuos descontinuos, relativamente aos acontecimentos normativos, decorrentes das fases de transição.
Na adolescência e na velhice os processos genético-biológicos, graduados pela idade, têm mais força na regulação do desenvolvimento do que os de natureza sócio-cultural.
Gineste e Pelissier (2008) referem que o adolescente é alguém que vive com temor e insegurança, o desenvolvimento do seu corpo, a penugem o aparecimento das partes salientes, o crescimento abrupto e desarmoniozo…..A percepção das mudanças físicas, os rearranjos emocionais e e psicológicos que ocorrem, o receio do olhar do outro e do seu julgamento, a aventura do desconhecido e do futuro incerto, a ausência do amor…ou o receio do desamor, são cenários temíveis para o adolescente .
No envelhecimento existe, igualmente, o confronto com um periodo de mudanças em que as fragilidades físicas, a decrepitude, as perturbações da memória e do conhecimento, produzem transtornos no equilibrio físico emocional. São necessários elevados recursos para fazer face a esta nova e desconhecida etapa, para encarar o futuro, cada vez mais incerto. O temor da perda do amor, o receio do desamor, a solidão…A identidade a reconstruir ou descontruir, assenta tanto na adoslescência como na velhice, na profissão, no trabalho ou na falta dele, no lazer, na reflexão, mas sobretudo na aparência física, no medo de desagradar e de não ser amado. É necessário, pois, manter-se a par das tendências, dos figurinos comuns, com vista a estar próximo do ideal social e dos afectos.

Deixa-me contar-te para compreender quem sou e…. SER?
A media que se estabelecem itineráios da memória refaz-se o passado e reinventa-se o futuro. (Baltes, Cornelius, & Nesselroade, 1979; Baltes, Reese, & Lipsitt, 1980; Lerner, 1983) referem como episódios mais marcantes, a maturação neurológica dos primeiros anos, puberdade/adolescência. Seguem-se os factos de natureza psicossocial, ilustrados pelo ingresso na escola, o casamento e a reforma, eventos de uma assinalada construção/desconstrução, física e psicológica. São vividos com particular preocupação, a profissão, o emprego ou a perda deste, constituir famíia ou perdê-la pela viuvez, acidentes, doenças, lutos, ausência de amigos e de familiares. Baltes e Baltes (1998), reelaboraram abstrações mais refinadas sobre a actuação concorrente das determinantes genético-biológicas e sócio-culturais do desenvolvimento, segundo as quais: 1) os aspectos ontogénicos, e a interação dinâmica entre factores biológicos e culturais mudam ao longo da vida; 2) Surge um maior mobilização de recursos, que passam da ênfase no crescimento (na infância e juventude) à ênfase na manutenção e na regulação das perdas (na velhice); 3) ocorre a actuação sistémica dos mecanismos de selecção, optimização e compensação nas etapas do desenvolvimento e do envelhecimento bem sucedido. O ciclo fecha-se em processos sempre dinâmicos, em que os extremos parecem tocar-se. Assim se realiza a narrativa humana, processo dinâmico e continuo, que suscita memória e balanço, para encontrar sentido. Por isso se conta, se avalia e refaz este itinerário cartográfico da vida.

Palavra chave: desenvolvimento, percepção , narrativa

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