terça-feira, 24 de novembro de 2009

A Importância das Narrativas Autobiográficas No Idoso


“Cada velhice é consequência de uma história de vida”
GUSMÃO, N. (2003)


Como o próprio nome indica, as narrativas autobiográficas são relatos na primeira pessoa de episódios de vida que foram marcantes para a própria pessoa em determinado momento da sua vida, positiva ou negativamente.
As narrativas autobiográficas permitem aos idosos redescobrirem-se, racionalizarem experiências passadas, opções tomadas, entre outras, pela possibilidade de terem alguém que os ouve e os questiona a partir das suas próprias lógicas e contextos. Para além disso, permitem-nos compreender a força do projecto pessoal de cada um na construção de uma certa qualidade de vida, ao nível das dimensões mais subjectivas do viver. Claro que, as circunstâncias e experiências de vida variam enormemente, tal como os indivíduos envolvidos no processo de construção de uma ou outra maneira de ser e de pensar e é, por isso mesmo, que as histórias de vida são únicas, pessoais e subjectivas.
As narrativas autobiográficas podem não corresponder exactamente àquilo que realmente aconteceu. Ou seja, verifica-se normalmente, alguma confabulação mas isto também traz algo de positivo para o Idoso pois, no fundo, o modo como este “arranjou” a sua história é protector e não deve ser contrariado de modo algum.
Para os profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados, elas assumem uma relevância fundamental pois permitem conhecer melhor o indivíduo e perceber gostos, interesses, situações causadoras de angústia e, com base nestas informações, proporcionarem um olhar mais atento sobre o mesmo e assim uma prestação de cuidados mais dirigidas e eficaz. Para os idosos estas também têm benefícios pois ao reflectirem sobre aquilo que experienciaram e as decisões que tomaram revivem situações, recordam momentos felizes e partilham sentimentos e emoções com quem se encontra do outro lado e isso é gerador de enorme bem-estar junto dos mesmos. Para além disso, as narrativas autobiográficas trazem sempre ao idoso a sensação de estar a ser valorizado, da sua opinião e experiência de vida serem importantes para os ouvintes e isso é algo de extremamente recompensador para o mesmo, especialmente numa sociedade actual onde o Idoso é relegado para segundo plano.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Combater a Solidão!!!

Tempo



Quando penso em Tempo, assim de repente, o que me vem à ideia é de como ele, o tempo, estará amanhã, depois de amanhã, no fim de semana… Quando me pedem que reflicta sobre ele, a coisa muda de figura. Tento lembrar-me do que pensava dele quando era miúda.
Ora quando era miúda pensava que tinha Tempo para tudo, independentemente do tempo que se fazia sentir, tinha Tempo para brincar, para estudar, para comer. Não me lembro o que respondia quando me perguntavam o queria ser quando fosse grande, provavelmente porque tinha Tempo para pensar nisso e tinha e tive.
Agora ao pensar em tempo, o que me surgem são perguntas, será que vou conseguir ter Tempo de…? Ter Tempo para…? E aí a resposta pode parecer redundante, só o (próprio) Tempo o dirá. Que conceito será este que no fundo comanda o nosso dia-a-dia, a nossa vida?! Há uma coisa que me aborrece quando penso em Tempo, a Espera. Temos de Esperar pelo Tempo certo para começar a sair à noite, temos de Esperar pelo Tempo certo para poder votar, temos também de Esperar que o Tempo dê para…. E para… tantas coisas! Depois há o outro lado que me alegra quando penso em Tempo, Acreditar. Acredito ter ainda tempo para me realizar; Acredito ter Tempo para sorrir; Acredito ter tempo para passar junto de quem amo. Acredito também ter Tempo para…Viver.