“Cada velhice é consequência de uma história de vida”
GUSMÃO, N. (2003)
GUSMÃO, N. (2003)
As narrativas autobiográficas permitem aos idosos redescobrirem-se, racionalizarem experiências passadas, opções tomadas, entre outras, pela possibilidade de terem alguém que os ouve e os questiona a partir das suas próprias lógicas e contextos. Para além disso, permitem-nos compreender a força do projecto pessoal de cada um na construção de uma certa qualidade de vida, ao nível das dimensões mais subjectivas do viver. Claro que, as circunstâncias e experiências de vida variam enormemente, tal como os indivíduos envolvidos no processo de construção de uma ou outra maneira de ser e de pensar e é, por isso mesmo, que as histórias de vida são únicas, pessoais e subjectivas.
As narrativas autobiográficas podem não corresponder exactamente àquilo que realmente aconteceu. Ou seja, verifica-se normalmente, alguma confabulação mas isto também traz algo de positivo para o Idoso pois, no fundo, o modo como este “arranjou” a sua história é protector e não deve ser contrariado de modo algum.
Para os profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados, elas assumem uma relevância fundamental pois permitem conhecer melhor o indivíduo e perceber gostos, interesses, situações causadoras de angústia e, com base nestas informações, proporcionarem um olhar mais atento sobre o mesmo e assim uma prestação de cuidados mais dirigidas e eficaz. Para os idosos estas também têm benefícios pois ao reflectirem sobre aquilo que experienciaram e as decisões que tomaram revivem situações, recordam momentos felizes e partilham sentimentos e emoções com quem se encontra do outro lado e isso é gerador de enorme bem-estar junto dos mesmos. Para além disso, as narrativas autobiográficas trazem sempre ao idoso a sensação de estar a ser valorizado, da sua opinião e experiência de vida serem importantes para os ouvintes e isso é algo de extremamente recompensador para o mesmo, especialmente numa sociedade actual onde o Idoso é relegado para segundo plano.
