Visita ao Residoso
Dia 7, ou a mítica mensagem bíblica...Sete, setenta vezes sete...ou sete vezes nada...
Preparamos-nos para partilhar um tempo, o tempo especial daqueles que consideramos, especiais, diferentes. Tempo que é comum, porque é registado, simultâneo ao nosso, no " maldito relógio". Tempo que escapa à racionalidade (normativa) como se pretendesse, na sua desintegração, contrariar, recusar, o sentido comum, no aleatório e imponderável de cada momento, no segredo de cada ser. Pretendemos compreender a incógnita que se esconde no "non sens". Descodificar, integrar, outras realidades, aquilo que julgamos ser o Universo dos vazios, (as demências ou a ausência de lógica). Vamos experienciar outras vivências... conhecer outros, em outros espaços e em contextos que não conseguimos facilmente decifrar. Outros EUS, outras percepções das realidades.
Pretendemos procurar a história, o sentido da vida que somos tentados a julgar "sem sentido", face aos nossos sentidos. A sua capacidade ou não, de percepcionarem o real. Vamos partir à descoberta de um mundo que nos escapa, nos desafia e inquieta.... Tentar perceber o que distingue o exótico, da norma. Sentir o que constituirá o seu Universo, a sua interpretação do mundo. Lançar-lhe um olhar de humanidade, face a uma humanidade quase irreconhecível.
Vamos realizar "trabalho de campo". Fazer observação simples, participante ou não participante.
"A observação participante, que muitas vezes é também designada por trabalho de campo, caracteriza-se pela “inserção do observador no grupo observado. Se o investigador apenas se integra no grupo a partir do momento em que se inicia o processo de investigação, falamos de observação-participação. É a situação do etnólogo que vai viver uns tempos com a "tribo" que vai estudar.
Se, pelo contrário, o observador faz parte integrante de um grupo e aproveita essa situação para o observar, estamos numa situação de participação-observação. É o caso do professor de Sociologia que investiga na escola onde exerce a docência. [Ou do crente religioso que aproveita o seu convívio com outros crentes e a sua participação em actividades religiosas para estudar o fenómeno religioso.]
A observação-participação tanto pode ser uma participação distanciada e ligeira (caso de uma reportagem sobre uma conferência ou sobre outra qualquer prática social; ou da observação presencial de aulas), como uma participação mais profunda e mais integrada (como é o caso dos etnólogos que, ao estudarem sociedades primitivas, nelas se integram durante meses). Na participação-observação há a dificuldade acrescida da pertença íntima ao grupo social condicionar bastante a objectividade necessária ao processo investigativo.”
José Vargas, Sociologia, Porto Editora, 2002, pp. 119-120.
Vamos conhecer, com os nossos mecanismos racionais o que consideramos ser a irracionalidade e sentir com os nossos afectos, para podermos actuar melhor.
C.C.
