terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sexualidade no Idoso: algumas considerações...

Envelhecer é uma característica comum e inevitável em todos os seres vivos. Para cada uma das espécies existe uma duração máxima de vida que é sempre precedida por um processo, mais ou menos, complexo, de evolução desigual e, portanto, de envelhecimento.
Ninguém escolhe envelhecer, nem como fazê-lo mas é um facto, cada vez mais incontornável, que vivemos até mais tarde e que, portanto, devemos tentar controlar o modo como isto ocorre. Assim, numa sociedade estereotipada, em que ao Idoso ainda é atribuída uma conotação negativa é importante perceber o que tem de ser alterado para promover uma melhor qualidade de vida no mesmo, transformando essa concepção redutora das pessoas idosas e valorizando a visão do envelhecimento como uma conquista da humanidade que deve ser celebrada.
Tamer, N. L. & Petriz, G. (2003) afirmam mesmo que “o tempo em que vivemos põe em evidência expectativas, contradições e paradoxos sobre questões fundamentais dos idosos e do mundo em que vivem”.
É então neste contexto que surge o conceito-chave de envelhecimento activo. Na Segunda Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento ocorrida em Abril de 2002 é explicado que este se refere ao “processo de optimização do potencial de bem-estar social, físico e mental das pessoas ao longo da vida para que este período, que é cada vez mais longo, seja vivenciado de forma activa e autónoma”.
Uma das actividades mais fortemente ligadas à qualidade de vida e ao bem-estar no Idoso é a sexualidade que é, normalmente, um tema de difícil entendimento por parte das sociedades existentes. A ideia de que os idosos também possam manter relações sexuais não é culturalmente aceite. Prefere-se ignorar a mesma e fazer desaparecer do imaginário colectivo a sexualidade da pessoa idosa.
A sustentação da crença de que com o avançar da idade, ocorre um declínio da actividade sexual tem sido responsável por não se prestar atenção suficiente a esta componente tão importante da vida humana. A actividade sexual é atribuída às pessoas jovens, às pessoas com boa saúde e àquelas que são fisicamente atraentes.
Uma visão restritiva em relação à sexualidade considera igualmente que na Terceira Idade vive-se um período em que o indivíduo assume unicamente o papel de avô ou avó, cuida dos seus netos, faz tricô ou vê televisão. Porém, apesar deste viés cultural, esta faixa etária conserva a necessidade de uma expressão sexual continuada, não havendo pois, uma idade para que a actividade sexual, os pensamentos sobre sexo e o desejo acabem.
Para além disso, à medida que envelhecemos devemos tornar-nos conscientes das mudanças que vão ocorrendo no nosso corpo e compreender que sexualidade não é sinónimo de acto sexual. Nesta perspectiva López, F. & Fuertes, A. (1999) consideram que “a sexualidade muda com a idade. Somos sexuados ao longo de todo o ciclo vital e vivemos a sexualidade de forma bem diferente em cada etapa da vida. Por isso, o estudo da sexualidade impõe um enfoque fundamentalmente evolutivo”.
A sexualidade abrange então um vasto leque de actividades que podem ir desde o simples prazer da companhia da pessoa amada até ao orgasmo, pois a libido inclui desejos, pensamentos, fantasias, satisfações e prazeres. Portanto, “a sexualidade tem pouco ou nada a ver unicamente com erecções e orgasmos, e sim com comunhão, com tocar e se deixar tocar, acariciar e ser acariciado, ter e dar prazer. É só conseguir mudar o padrão de encarar e de actuar, usando formas abertas e receptivas entre si, que se chega ao nirvana nos encontros amorosos” [Fucs (1992), citado por Reis, C. A. C. (2001)].
Freitas, F. et al. (2009) na página da Internet intitulada Educação Sénior (http://max.uma.pt/~EdSenior/index_ficheiros/Page422.htm) acrescentam que “através dos estudos feitos por Kinsey, Masters e Johnson, Hunt e outros autores, confirmou-se que o desejo e os interesses sexuais mantêm-se na velhice, e que um número bastante razoável de idosos afirma ter comportamentos sexuais coitais. As conclusões tiradas deste estudo, reflectem claramente que muitos idosos desejam ter prazer com a actividade sexual e que uma parte mantém a actividade mesmo até idades muito avançadas”.
A deficiência física não neutraliza a sexualidade e, por conseguinte, é necessário encarar a função sexual como parte integrante da vida e que o seu exercício rejuvenesce o ego e é promotor de bem-estar e qualidade de vida.

Palavras-chave: envelhecimento, qualidade de vida, sexualidade

Bibliografia:
- LÓPEZ, F. & FUERTES, A. (1999). Para compreender a sexualidade. Lisboa: Associação para o planeamento da família;

- REIS, C. A. C. (2001). Sexualidade na terceira idade: não posso, não quero ou não devo. O mito da dessexuauzação das idosas e a influência da estereotipia negativa as mesmas e suas consequências na vida afectiva e sexual. Revista de Iniciação Científica Newton Paiva;


- Link da página da Internet intitulada Educação Sénior: http://max.uma.pt/~EdSenior/index_ficheiros/Page422.htm (conforme retirado em 18 de Agosto de 2009).

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