sábado, 25 de julho de 2009

Maria da Conceição Serrenho Couvaneiro (phd)

Psicologia social

Instituto Piaget- Almada/Portugal

Provérbios Mitos e Práxis

Este artigo pretende evidenciar a importância dos provérbios na formação e na transmissão de valores. Entender o modo como constituem marcas de um património que se transmite de geração em geração, geralmente pela via oral e popular. Compreender o seu impacto, enquanto transmissores de crenças e ideais que norteiam as sociedades, e se constituiem como marcos de uma filosofia, transmitida de forma continuada, às gerações vindouras. Reflectir sobre a sua função psicopedagógica, como marcos ancestrais de cultura, que contribui para a preservação e a manutenção da moral, dos costumes e da tradição, para que a humanidade prossiga a sua saga, dentro do que é considerado o seu traço identitário.

Abordando os constructos da psicologia procurar-se-à compreender a função dos provérbios na vinculcação da sabedoria popular, através da aprendizagem social. Do modo como são transmissores de saberes e convicções, de expressão universal, como geram comportamentos próprios de uma cultura, assente em normas estratificadoras. A categorização social e o poder estão presentes quando são evidenciados aspectos, políticos e ou religiosos, por vezes eivados de preconceitos e estereotipia. De forma subtil e subjectiva exaltam ou penalizam os grupos sociais minoritários e ou fragilizados, nomeadamente os idosos, as mulheres. Ao contrário enaltecem as virtudes consideradas relevantes ao ideário social que defendem. Como estes resultam da expressão de um inconsciente colectivo (Durkheim 1893), e as suas formas subjectivas de afirmação, enquanto representações sociais (Moscovici 2007). Estas são uma forma de abordagem explicativa dos processos de “imprinting”. Partem do conhecimento do senso comum e, pela cognição social, constituem o “attachment” cultural entre passado e futuro. Uma forma de leitura simplificada, das realidades quotidianas.

Através da ligação entre mitos e praxis observam-se as diferenças que os provérbios apresentam nas sociedades tradicionais onde a sua expressão é superior à das sociedades modernas. Esta é uma abordagem assente em experiências pessoais e fundadas na observação. Conforme o que se relata a seguir.

Um mito, uma construção de práxis

Desde cedo fui ouvindo, a voz sábia da minha mãe e dos mais velhos, transmitir mensagens que me eram agradáveis de ouvir, devido ao tom tão convincente e afectivo com que eram vinculadas e à confiança que inspiravam. A par de outras máximas, hisórias e conselhos que com o tempo adquiriam particular significado, ia ancorando as minhas vivências inscritas neste quadro de referências, coerentemente transmitidas. Fui assim esculpindo muitos dos meus conceitos, acerca da vida, a cartografia das minhas convicções, em constante afirmação e reconstrução.

Expressões como " não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti", “faz bem, sem olhar a quem”, “ Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és” ou ...“ “mais vale só que mal acompanhado” norteavamo meu caminhar, constituindo a dado momento, verdades inqestionáveis. Intuia, com elas, uma ética relacionl aassente naresponsabilidade e procurava estabelecer uma atitude de empatia com os outros, facilitadora da comunicação, da cooperação e da socialização, ao mesmo tempo que formava uma moral que se revelava um tanto coersiva. Só mais tarde percebi que, a função de tão curtas histórias, era a de constituirem máximas de moral e de preceitos a que havia de dar cumprimento, para viver bem e ser feliz.

Os provérbios vinculam técnicas simbólicas de sabedoria de adesão inquestionável e incisiva. Utilizam o ritmo, a metáfora e a aliteração, o conselho e a regra. São o saber consolidado, sem a necessária demonstração ou a imposição de passar pelo ónus da prova pois são a apropriação subtil da normatividade, vinculada pela via subjectiva. Aconselham procedimento e indicam códigos de conduta viver em sociedade e para vencer na vida. São imperativos mesmo não sendo dogmáticos. De forma irónica, sarcástica mesmo, ou directa , linear e consensual, encerram conceitos que, no seu discurso breve, trasmitem lições de vida. Surgem como a monitoragem do caminho e o esteio para as dúvidas e as incertezas. Constituem-se verdades ”fundantes” a que se recorre mas que, com o tempo, se refazem, mesmo que, as primeiras percepções, nunca deixem de ficar sinalizadas. São mecanismos norteadores da moral e da ética processual, que apelam ao esforço compensado ou, na sua ausência, à punição tal como se pode constacar nos exemplos que se seguem: “Madruga e verás, trabalha e terás”; “quem não cansa não alcança”; “quem não trabuca não manduca”; “ o prometido é devido” ou ainda “quem boa cama fizer nela se deitará” O cunho sinalizador da valorização do trabalho, do dever e da responsabilidade, surgem inequivocamente nos provérbios, a reforçar outras mensagens de sentido idêntico, relativas ao modelo de vida, veiculadas nos cenários educativos. O convite à participação empenhada, para a justa apropriação dos recursos e gestão dos meios, a consciência do papel activo que a cada um cabe dentro da função delineada em projectos de vida inscrevem-se, pr esta via, no imaginário pessoal . Definem a condição de utente usuário activo e transformador, o papel de actor, num processo de desenvolvimento empenhado e no sentido da repartição equitativa de recurso. Antes de qualquer tratado sócio económico e de direito, antes que se pudessem teorizar, os princípios da justiça, definidos entre outros, por John Rawls, surgem eivadas de sentido, no anúncio proverbial , as máximas de solidariedade, propícias a uma vida mais partilhada, ou ao contrário a alertar para os benefícios da defesa individual; mas a reafirmar a consciência de ser usuário e contrariar a usura.

Os provérbios, expressão do senso comum, permanecem praticamente imutáveis ao logo dos tempos, ainda que assumam diferentes significados e performances e outros se hes vão acrescentando, consoante as culturas de que são oriundos ou em confronto com novos paradigmas.

Os modelos cognitivos, aprofundados por Beauvois (1984), Jonte (2008) e Monteil (1999), relativo aos processos ideológicos e os processos sociais de (Doise e Mugny 2002), são elaborados, sob o ponto de vista cognitivo, à medida que recolhemos fragmentos de informação extraímos conclusões e a partir delas e tentamos um traçado coerente, no itinerário da vida. O que se apresenta como senso comum pode ser, então, observado à luz dos processos cognitivos e emocionais, que lhes estão subjacentes.

Os provérbios, no seu carácter metafórico, inculcam ideologia. Não são inocentes do ponto de vista ideológico, filosófico, políticoe religioso. Vejamos as expressões como as que seguem :

“Quem se humilha será exaltado, quem se exalta será humilhado, ou, “é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha de que um rico entrar no reino dos céus”. Na primeira citação está-se perante a dedução de que, um juízo exacerbado do valor pessoal, poderá impedir o desenvolvimento de cada, do seu SELF em função dos demais, por isso é aconselhado anulação, o silenciamento de si, para obter uma glória maior , por ventura a recompensa celeste. A humildade pode assumir o caracter de submisão, o apagamento de si, a anulação, o que pode ser considerada uma outra forma de orgulho. Na segunda citação observa-se um desafio ao conformismo, a regeição do sentimento da propriedade como algo de bom já que não tem lugar nos desígnios divinos. Tais máximas, fundamentadas em ideologias, de pendor religiosas judaico cristão, subvertem os conceitos da assunção de SI, como valor próprio, pelo reforço da humildade (apagamento) como virtude, que se pode vir a traduzir em falsas modéstias, dependência e de sujeição. Conduzem à aceitação/resignação, tão do agrado de regimes políticos autoritários. Assentam em pressupostos de que sofrer para se obter um outro bem, perpétuo e transcendental, justifica uma vida desditosa. Pode mesmo pressupor aceitar a injustiça em nome das bem-venturanças, “ bem aventurados os mansos…pois deles é o reino dos céus”.”Bem aventurados os pacíficos porque possuirão a terra” Tal pode pressupor abdicar, pacificamente, da condição humana permitindo que o “destino de cada um seja da responsabilidade de uma qualquer divindade, política ou celestial”. Do mesmo modo que os proverbios estas máximas contêm poder mítico e transcendental, que Max Weber (2004) trata e, mais proximamente (em Portugal), Antero de Quental (1871) alude na sua obra “causa da decadência dos povos peninsulares” pode constituir um poderoso narcótico para debelar algumas angústias do presente parecendo superar (momentaneamente) os sofrimentos. O poder, assim manifestado, minimiza o direito e adultera, o sentimento de si como valor, atribuição causal, (Heider, 1958) da supremacia de um destino ou poder transcendental. Induz atitudes de heteronomia, assumindo o “locus de controlo externo” (Rotter, 1958), um papel determinante com a demissão das responsabilidades que lhe competem. Comprometem os processos de autonomia e liberdade, favorecem o livre arbítrio, impedindo que cada um tome em suas mãos a condução do seu destino, na luta pelo direito ao bem-estar.

“Filho és pai serás” vincula o sentido de uma moral de compromisso que funciona como constrangimento aos sentimentos de alienação da responsabilidades para com os mais velhos. Revelam ainda situações de contradição entre o social e o individual, entre a partilha e o egoísmo contrários a uma vivência solidária. Ao respeito pelos que foram os autores da nossa vida. A sacralidade desta pertença é evidenciada pela “ameaça, presente na segunda parte do provérbio…….” Como fizeres assim acharas…”. Anuncia-se a passagem de uma moral heterónima a uma moral autónoma (Piaget, 1932) e Kolbherg ( 1981).

Os princípios da acção são assim determinados por conceitos fundamentais que apontam inevitavelmente para atitudes e comportamentos norteados por um inconsciente colectivo que define conteúdos, e arquétipos, reproduz ou aniquila imagos, numa espécie de ética da criatividade da cooperação e solidariedade tal como é anunciada por Desroche na sua obra “ as três éticas e que se transforma em convicções, associando mesmo que imperceptivelmente, conceitos de rito, ao modos fazendo, na passagem à praxis, tal como é anunciada por Marx. Transforma-se em pano de fundo e cenário vivencial, das diferentes gerações. Inscrevem padrões culturais do imaginário colectivo (Durkheim ) que, só muito lentamente, se vai transformando.

Os provérbios inserem-se numa mística em que o simbólico marca o real, dando-lhe um carácter de sagrado manifestando-se pelo inculcar de uma mensagem que suscita a passagem dos valores a inquestionáveis verdades, quase de natureza metafísica, sobretudo ao nível dos grupos sociais comunitários, pela premonição e algum temor. A sua transmissão assenta na tradição e um certo culto popular de carácter subjectivo reutilizando os símbolos e provocando inevitáveis adesões. “ nunca digas, desta água não beberei”; “a justiça tarda mas não falta”; “quem semeia ventos colhe tempestades”.

O real e o simbólico entrecruzam-se numa miscelânea de sentidos, onde os contraditórios e os opostos tomam lugar. Transportam-se para o quotidiano em rituais agregadores em que as manifestações de sentires se transformam em princípios de acção e ideais comuns.

O conhecimento enquanto ciência avalia, modifica, retêm ou abandona modelos se não forem capazes de resistir às provas empíricas. Tende a explicar os comportamentos das pessoas. O senso comum procede e influência através da justeza das mensagens, dos aspectos afectivos de que as mesmas são portadoras, da repetição e encadeamento dos sentidos que as vinculam, da redundância. Assumindo o carácter de conselho, quase sagrado, não necessitam da prova pois são assimilados através do que parece obvio e funciona pela redundância.

A impregnação social exerce o seu efeito, virtualmente, sobre os nossos pensamentos, sentimentos e condutas. Leva-nos a moldar as nossas percepções. As mensagens persuasivas (destinadas a criar, modificar ou reforçar atitudes) assentam nas emoções que franqueiam a porta à construção da realidade, à racionalidade ( Berger e Luckman, 2004).

A impregnação social vai construindo um território de representações que resultam no acto de transformar em categorias ou objectos de pensamento, que reproduzem imagens mentais mesmo que ajustem e reformulem concepções anteriores. Com origem em Hegel as representações evidenciam a dinâmica do processo, com construções mentais activas que balançam entre a propriedade dos objectos e a sua imagem, sempre revestida de múltiplas significações, passando do carácter intuitivo das imagens transformando-as em pensamento. De múltiplos significados e com a “contaminação ou leitura enviesada” que os diferentes sentires e expressões lhes vão acrescentando, assim se vão tecendo os territórios da nossas convicções mais profundas, baseadas em fenómenos do senso comum. Com base em E. DurKheim, Moscovici (2007) retoma esta mesma problemática das representações sociais como modalidades de conhecimento prático orientadas por e para a comunicação a compreensão e o controlo do meio ambiente determinados por processos cognitivos geralmente assumidos e por processos funcionais socialmente estabelecidos. Podem representar interpretação, não apenas conhecimento, mas com a marca do sentir e o filtro dos olhares. Não é pois, apenas o conhecimento que interessa, mas as suas implicações práticas. O conhecimento através representações sociais é uma via, a primeira. Neta estão contidas, para interpretar a realidade, a icnografia, literatura, canções, provérbios, mitos,…. (Spink, M,J.200,1993)

Resistindo à prova dos factos vão se formando os e preconceitos e os estereótipos que vão surgem através de alguns processos degradativos de algumas experiências enviesadas ou menos consentâneas com as leituras de uma determinada realidade. Pode definir-se estereotipo “como crenças ou representações rígidas e simplificadas da realidade, geralmente partilhadas por um grupo mais ou menos alargado (eventualmente os membros de uma sociedade inteira) relativamente a instituições pessoas ou grupos. O estereótipo releva muitas vezes do preconceito. É caricatural e unificador, sendo os traços atribuídos isolados de um complexo de traços e sendo ignoradas as diferenças e cambiantes, ( Dortier, J-F., 2006) .

Os caracteres étnicos, raciais, de género e de velhice são exemplos de estereótipos marcados pelos preconceitos. Tratando-se de condicionamentos aos estimulo vão naturalmente repercutir-se nas respostas a dar e na justificação do preconceito.

Provérbios e estereótipos relativos aos idosos

A Depreciação por comparação entre a juventude e a velhice surge nos provérbios estabelecendo a analogia entre as diferentes virtualidades ou competências reconhecidas nos diversos grupos etários. Não será de estranhar que, numa sociedade que tem como fulcro a funcionalidade e o interesse utilitário, que os velhos surjam muito desvalorizados enquanto que os jovens são considerados mais valia social, inquestionável. Os provérbios populares evidenciam-no como a seguir se pode ver.

“Mais quero o velho que me ame do que o moço que me assombre”.

“Amor e sabedoria fazem rara companhia”.

Mas o preconceito surge de forma mais eversiva quando se trata da manifestação dos afectos. Parece que a sociedade considera vedada aos idosos a possibilidade de manifestar os seus afectos, de serem portadores de emoções. A sexualidade, presente ao longo de toda a vida humana e a manifestação sensível dos afectos, será prerrogativa dos mais novos. A representação social da velhice considera que sabedoria ou estado maduro da vida adulta (Erikson, 1997) – não consentânea com o amor e suas manifestações sensoriais.

Vejamos relativamente ao amor os seguintes provérbios: “ velho enamorado cedo enterrado”, “0 amor no velho traz culpa, mas no mancebo fruto” “Moça com velho casada, como velha se trata”. Não restará senão acautelar, prevenindo a fim de evitar “o mal maior”.

O sentimento de inutilidade e de subestimação cognitiva é expresso, de forma caustica, nos seguintes provérbios;

Homem velho, saco de azares. Má sorte para si e para os demais

“Queda de velho não levanta poeira”.

“0 Velho torna a engatinhar”.

“Burro velho não aprende línguas”; Velho emendado e espulgar cão, duas tolices são”.”Quem de novo não melhora de velho sempre piora”.

São diminuídas e adulteradas as competências, porventura outras e não as mesmas que podem ser desenvolvidas ao longo da vida. O envelhecimento activo/positivo perconizado por (Baltes e Baltes, 1990) e a fase da Sabedoria a que reporta Eriksom na teoria do desenvolvimento ao longo da vida bem como as neurociências, aportam novos dados determinam novas leituras e novos reposicionamentos.

Mas também se evidencia o bom senso … o conhecimento

“Velho com amor, inverno em flor”.“Macaco velho não mete a mão em cumbuca”.

Cada velho que morre é uma biblioteca que arde.

Como passam as representações sociais

Impregnação, persuasão e formação de percepções

Imprgegnação é o processo de aprendizagem radical que não necessita de qualquer repetição e pelo qual, no decurso de uma fase sensível do seu desenvolvimento e num periodo crítico de exposição se recebe um imprinting. Quando este é transmitido num período ideal um novo imprinting não o pode substituir. As características do fenómeno permanecem são a primazia da experiência e a irreversibilidade da preferência.

A heuristica da persuasão é um campo da psicologia social que marca percursos que se entrecruzam de forma sistémica e se refectem na vida ideias pré-concebidas, isto é, modelos cognitivos que resultam de uma generalização. Berger e Luckman (2004). Imprimem significados culturais decorrentes das influências que grupos e comunidades na transmissão do conhecimento necessário à gestão do quotidiano e à preservação da identidade cultural.

Percepções tem a função de captar informação dos acontecimentos do meio exterior ou do meio interno através da reflexão, pelo meio dos mecanismos sensoriais. Os receptores sensoriais não constituem apenas simples grelhas de leitura com base em estímulos. Transformando formas de energia recepcionadas por esses mesmos estímulos, em acontecimentos nervosos segundo normas e regras que o organismo percebe e descodifica. Todo o controlo passa por modulações dos centros superiores, transformando-as, segundo Piaget em actividades perceptivas. Tal tem a ver com as características dos estímulos, os limites colocados pelos receptores, à transmissão pelos neuro transmissores em relações cognitivas de causalidde ascendente e descendente. As inferências feitas pelo indviduo relativamente à percepção dos factos psicológicos decorre do modo como cada individuo trata os factos sociais com o contributo e ajuda de categorias conceptuais. Tal resulta no modo como o individuo explica os factores disposicionais (internos) e os factores situacionais (externos).

Ideias pré-concebidas, isto é, modelos cognitivos que resultam de uma generalização, “burro velho não aprende línguas”

Interpretações pouco precisas mas que conduzem a classificar pessoas ou grupos positiva ou negativamente;” mais vale só que mal acompanhado”

Tendências agressivas para com os membros de outro grupo manifestam-se como formas deterministas, xenófobas e de afirmação de poder, dividindo as pessoas em categorias. Mas estas manifestações adquirem particular sentido nas sociedades tradicionais em que funcionam de forma acutilande para marcar a supremacia intelectual dos grupos.

A sabedoria Africana traduzida em Provérbios

Em rituais como os do casamento, na apresentação das famílias, em que os grupos, ou tribos familiares pretendem fazer valer os direitos negociais em presença, tanto da parte da noiva como do noivo, os proverbios são utilizados para enaltecer as qualidades da noiva, com o efeto de aumentar o dote ou ainda para advertir para o excesso de argumentação e contrapor o queesta a ser apresentado como excessivo.

Nos óbitos são igualmente utilizados provérbios para explicar o que se passou. Para encontrar um sentdo para o insólito do que se passou, a perda de alguém. O mesmo acontece quando se trata de enaltecer as virtudes do que morreu e justificar o seu “passamento físico”.(morte).

Em resposta as pessoas curvam-se, batem as palmas para pedir a palavra. Quem responde tem que fazer o mesmo.

Quando o diálogo não é correspondido pelas partes em presença é considerado falta de sabedoria, falta de conhecimento das grandes verdades da existência. Este estado de conhecimento é considerado supremacia ou edstdo avançado de maturidade. Quem o não consegue transmitir desta forma, ainda que possua muito saber adquirido através dos livros, encontra-se num estado de imaturidade e, dificilmente saberá encarar as grandes verdades do que é viver.

Conclusão

Os provérbios, mesmo que portadores de mensagens por vezes controversas, são marcos de desenvolvimento e da formação de percepções, práticas e valores. Possuem um valor inquestionável e uma retórico assinalável, contribuindo para a formação dos individuos, e impregnação de posturas, comportamentos e de práticas culturais. Não há ninguém que os não utilize, de alguma forma, de tal modo estão presentes no nosso espectro cultural. São uma mais valia na compeensão do evoluir das sociedades, pois surgem como marcos que balizam o caminhar social sendo particularmente relevantes nas sociedades arcaicas e tradicionais que funcionam ainda de forma assinalavemente mítica como premonitores simbólicos. Permitem entender o efeito pedagógico das mensagens vinculadoras de aprendizagens, através da impregnação social e so sentido. Estas, para serem eficazes, tem que ser reveladoras da alma do sentir das comunidade e grupos, em processos de afiliação e de pertença, na afirmação de um património cultural comum. Os proverbios são deste modo, esteios de civilização

Bibliografia

Antero de Quental. (1871). Causa da decadência dos povos peninsulares. Lisboa: Guimarães Editora.

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Beauvois, J. L. ( 1984) La psychologi du quotidienne. Paris: PUF.

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Doise, W., e Mugny, G. ( 2002). Psicologia social e desenvolvimento cognitivo. Lisboa:Instituto Piaget.

Dortier, J. F. (2006). Une histoire des sciences humaines. Auxerre: Editions des sciences humaines.

Durkheim, E. (1893). De la division du travail social.Paris: F. Lacan.

Erikson, E. ( 1997). Life cycle completed. U.S. Copyrightled material.

Jonte, B. ( 2008). Conceptual labs as an arena for learning. Paper presented at SEFI – 2008. July 2-5, 2008.

Kohlberg, L. (1981). Essay on moral development, vol.I The philosophy of moral development. Harper e row. ISBM 3 – 8055-3716-6.

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Rotter, B. (1982). The development and applications of social learning theory. New York: Praeger

Spink M., J. (1993). Práticas discursivas e produção de sentidos. Aproximações teóricas e metedológicas. S. Paulo: Edições Cortez.

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